Eu sempre disse que de mim, uma única pessoa iria saber. Portanto nunca fui de dizer minhas coisas para todos, e nem para poucos. Eu sempre esperei por ele. Porque eu sempre disse que apenas ele saberia.
Só para ele, eu iria realmente me expor. Conversar e libertar tudo que tem aqui dentro em qualquer situação que fosse.
Os outros não têm que ser íntimos. Os outros são os outros. Ninguém tem que ser meu íntimo. Nem o melhor dos melhores amigos.
Ele é o meu melhor amigo e assim como o esperei como homem, também o esperei como meu melhor amigo.
Eu sempre o esperei de todas as formas. Isso tem que ser pleno. É com quem vou passar a vida toda, afinal.
Mulheres de bom senso não usam roupas extravagantes. Dizem guardar ‘seu corpo’ para aquele com quem tem uma aliança.
Por que eu guardaria apenas o corpo aos olhos dos outros e o que tem aqui dentro não?
O que sou é 100% dele.
Você sempre teve aversão a essa minha coisa de escrever. Diz que me acho dona da verdade com as palavras e dito uma pessoa que você não é. Não importa. Dias atrás me apaixonei por um escritor que se diz imprestável mas faz textos como o cara mais dedicado do mundo a sua amada. Eu me exponho inteira com as minhas palavras mas na sua frente eu apenas lanço meu olhar distante de gente fechada e superprotetora de si mesma.
Que mentira.
É por isso que você nega todas as minhas citações de quem você é. Mas olha. Você nunca soube disfarçar seus olhos fervendo de paixão e seus braços euforicos que me tiram do chão toda vez que me encontra no mesmo aeroporto. Vem como se pudesse passar meses fora e eu ficasse congelada esperando.
E fico.
Todos os dias é Maio para mim. Ou Setembro.
Foi em um mês 05 que eu pude enxergar o cara que eu jamais consegui me esconder, de tão doce. De tão claro e transparente. Sem essa de joguinhos de conquista, isso a gente deixa para os 21 anos.
Você. Com esse jeitão de quem enfia a mão na minha goela a dentro, vasculha e arranca tudo o que quer ver sem aviso prévio. Já vai chegando, não da sinal.
Todo Maio eu me prometo não morrer sob a expectativa. Mas não se surpreenda se eu estiver no portão de desembarque com a cara mais esperançosa que já viu e as mãos sempre geladas (de ansiedade) do frio que faz nesses 30 dias.
Me perguntando se dessa vez você vai escolher de novo, o mesmo Hotel de sempre. Se vai ficar uns dias a mais ou me contar algo que não denuncie sua curiosidade peculiar em saber o que andei fazendo em todos os dias que parece ter contado nos dedos enquanto esteve fora.
Essas são as voltas que eu dou na minha cabeça para não lembrar que eu vou ouvir “Você sabe que não dá” e dar de cara com quão sensato você é. Mas é a sua disposição a mim que sobrepoe a esse pequeno detalhe.”Não dá”… Mas mês de Maio não importa o serviço, não importa os pais, a casa, os amigos, o futebol ou o churrasco da faculdade. Mês de Maio estamos no mesmo Hotel de sempre e eu te ouvindo dizer “Você sempre foi minha”.
Nossa vontade de contar como nos sentimos longe não deixa espaço para eu saber como vai sua casa nova, suas reuniões ou se você continua acompanhando sua mãe no mercado todos os domingos.
Você é o tipo do cara que mulher nenhuma duvida mais da Graça de Deus. Através da sua vida na minha que eu pude de ver de frente o quanto Ele me ama.
O quanto ele nos ama. Era Jesus quem sempre esteve alí em todas as noites que varamos juntos, num quarto de Hotel onde o assunto era Ele.
E isso definitivamente, não é para qualquer casal.
Esse é o mês onde as coisas ficam claras para mim e eu lembro que tem alguém, do outro lado caminhando comigo no mesmo sentido. Juntos estamos subindo aquele triangulozinho que desenhamos.
A propósito, fica lindo desenhando. Ou eu já virei -faz tempo- aquele tipo apaixonada que a gente tanto tira sarro e acaba vivendo.
É nesse mês que eu me encho de alegria.
Mas desde que você chegou, Agosto vem e eu ainda estou vivendo os dias de Maio.
Eu sempre estou vivendo nos dias de Maio.


“O mundo hoje em dia é tão agitado e gira numa velocidade tão assustadora que por vezes dá um pouco de medo entrar nesse universo tão dinâmico. Talvez por isso as pessoas se unam em casais e formem sociedades afetivas, para que ao invés de dois, possam colocar quatro pés unidos nessa engrenagem maluca que é a vida. É que quatro dá uma ideia de equilíbrio maior a primeira vista, como se em algum momento aquela freada mais brusca ou aquela acelerada repentina da vida pudesse desestabilizar o “duo” que sustenta nossos corpos no chão, mas ainda assim houvesse mais um par sólido de base em que as pessoas se permitissem ancorar até se reerguerem novamente. Parece mais fácil assim. E de fato é.
E hoje eu acordei achando lindo essa história de escolher alguém pra construir a vida com a gente. Sim, construir, uma palavra extremamente forte e de igual valor. Porque atualmente todo mundo quer tudo de graça, fácil, de mão beijada. Ninguém quer construir nada. Passar pelas etapas fundamentais de montagem da base que sustentará toda a estrutura, a preparação da massa, colocar tijolo por tijolo divididos por uma sólida camada de cimento, até erguer um patrimônio único, de invejar os maiores arquitetos e engenheiros. Não, o mundo hoje é das facilidades. É a garota que deseja “laçar” um empresário de sucesso, regado a carros do ano e viagens internacionais nas férias, e o mesmo empresário que sabendo dessa ambição se permite escolher e exibir as mulheres que deveriam ser suas companheiras como apenas um corpo bonito ao seu lado.
Talvez soe meio conto de fadas, mas eu me permito ser a princesa vez ou outra na história que eu decidi escrever pra mim. Escolher alguém pra construir a vida com você, pra ser mais que seu namorado (a), noivo (a), marido (esposa), mas pra ser sua base, sua plataforma de sustentação quando a maquinaria da vida começa a se mover de forma muito rápida, é algo simplesmente LINDO. É você dizendo não importa quantos moinhos teremos que mover pra chegar lá, não importa quantos ventos teremos que enfrentar sem abrigo, não importa quantas vezes teremos que colocar aquele mesmo tijolo naquele mesmo lugar….eu estou aqui pra você. É dar um passo extra, quando a pessoa ao seu lado só consegue oferecer as mãos dadas para sempre.
É esse império que gostaria de deixar aos meus filhos um dia. Quero que eles possam dar valor ao momento e saibam desfrutá-lo com toda garra e paixão inerente da jovialidade. Que possam escolher um amor simplesmente pelo amor, sem “mas”, “poréns” ou parênteses. Que saibam construir. Porque o mais puro êxtase, vem de conseguir olhar pra trás e ver que de um terreno vazio e infértil, nasceu uma estrutura sólida, firme e inabalável. E o melhor de tudo, poder olhar para o lado e ter a certeza que sozinho você não teria chegado aonde chegou.
Hoje eu só desejo que saibamos escolher e acima de tudo, que sejamos sábios e corajosos o suficiente para de fato fazer as escolhas necessárias. Ás vezes é preciso abdicar de colocar dois pés em direção a caminhos claros e certeiros, para poder colocar quatro pés em trilhas misteriosas. Que para cada dia sem dinheiro, para cada mês sem conseguir viajar para ver o namorado, que para cada emprego árduo, haja dez vezes mais amor e garra para compensar isso tudo. Porque no fim, quando o emprego dos sonhos estiver em mãos, a casa estiver mobiliada, o carro for comprado, é que a gente se dá conta de que construiu muito mais que uma vida, mas sim, uma base de amor que tempestade nenhuma é capaz de derrubar.
O mundo é enorme e cheio de esquinas. Que a gente dobre cada uma delas com essa sede incrível de construir e que numa dessas curvas encontre alguém cujas vontades coincidam. E que se construam vontades. Se construam, e só…” - Danielle Daian

